Princípios para uma educação feliz – Criatividade

Encerrando a série de postagens sobre os princípios norteadores do referencial pedagógico da Escola Caminho do Meio, o tema de hoje é a criatividade.

Criatividade

Paulo Freire (2000) considera como dimensão mais essencial do humano sua capacidade de – em diálogo e em relação – criar, inventar o mundo, fazer cultura. “Pelos seus atos de criação, recriação e decisão, vai humanizando a realidade, acrescenta a ela algo de que ele mesmo é fazedor, temporaliza os espaços, faz cultura” (FREIRE, 2000).

Ken Robinson – especialista britânico fala sobre criatividade na educação.

Na cultura contemporânea, passamos massivamente de criadores a consumidores. O processo educacional do século XX, separado da vida prática, priorizou excessivamente a especialização (MORIN, 2000), restringindo as capacidades criativas dos sujeitos. Refletindo sobre uma educação pertinente para o século XXI, Morin adverte que “a hiperespecialização impede tanto a percepção do global quanto do essencial; impede até mesmo tratar corretamente os problemas particulares, que só podem ser propostos e pensados em seu contexto.” (MORIN, 2000)

Para a experiência de mundo de crianças e jovens nos dias atuais, faz-se necessário ajudá-los a reconhecer o mundo como um ambiente onde os seres humanos, a partir de sua própria liberdade, criam, constroem, habitam de maneira positiva. Isso nos possibilita olhar a humanidade não apenas como uma comunidade que se adapta a mecanismos sociais alheios à sua participação, mas como seres que são capazes de criar – e efetivamente criam – coletivamente os mundos e as experiências sociais e comunitárias que vão habitar.

A possibilidade de a Escola estar inserida em uma comunidade onde se veem casas sendo construídas, hortas sendo cuidadas, jardins e canteiros sendo criados, ajuda o educando a perceber a criatividade humana operando de forma incessante nos mais variados aspectos da cultura, no que concerne ao seu cotidiano direto e significativo. Assim, aquilo que é necessário para a sustentação e enriquecimento da vida não é algo externo e pronto a ser adquirido apenas, é algo que participa da nossa capacidade inerente de criar incessantemente as condições segundo as quais estamos no mundo.

Buscamos, como parte do método da Escola, tornar visíveis no cotidiano das crianças as redes de interdependência e os processos criativos que sustentam a vida. Aqui, a criatividade tem esse aspecto atrelado à vida mesma, e não é vista como um processo abstrato. A criatividade é a expressão da liberdade natural da mente de todos os seres (SAMTEN, 2006).

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